Originalmente concebido como um projeto solo, os Love And The Will foram fundados em Ermesinde, em meados de 1992, por Pedro Ferreira, que assumiu o controle de todos os instrumentos e vocais. O nome da banda reflete a fusão de dois conceitos fundamentais da experiência humana: amor e vontade, apresentados de forma foneticamente atraente. O primeiro tema criado, "Sad Shooter", faz parte da demo homônima de seis faixas, e já indica o rumo que o projeto tomaria: um rock denso e sombrio, influenciado pelo pós-punk e pelo gótico, que se destaca por sua originalidade. A abordagem vocal, que oscila entre sussurros e canções com tons delicados, confere uma aura única às composições. Embora referências a bandas como Fields of the Nephilim, The Sisters of Mercy, The Mission, Christian Death, Casual Sanity e Bauhaus sejam evidentes, os Love And The Will conseguem explorar um território sonoro próprio e inconfundível. O primeiro registro, lançado em 1993, recebeu críticas positivas.
Após a estreia, Pedro Ferreira buscou formar uma banda que pudesse se apresentar ao vivo. Ele recrutou Joaquim Paiva como baixista, seguido por Pedro Cravinho. O primeiro show ocorreu em maio desse ano, no bar "O Meu Mercedes É Maior Que O Teu" no Porto. A banda participou do 1º Concurso de Música Moderna de Castelo de Paiva, onde conquistou a segunda posição, e do Concurso de Música da Discoteca Ritual em S. Paio de Oleiros, ficando em terceiro lugar. Simultaneamente, a faixa "Ghazeeyeh" foi incluída na compilação do fanzine Peresgotika, "T-Secret Sessions, Vol. 6". Em 1994, o grupo gravou a segunda demo, "Love And The Will II", que aprimorou o som anterior. Embora inclua uma homenagem aos Bauhaus com o tema "1919", a nova gravação apresenta uma sonoridade mais desprendida das influências anteriores, destacando as habilidades vocais de Pedro Ferreira e sua interpretação pessoal. Apesar das mudanças frequentes na formação, a banda continuou se apresentando.
Durante 1995, a formação estabilizou-se, contando com Alexandre Matos (guitarra), Helder Polónio (bateria) e Arménio Teixeira (baixo), além de Pedro Ferreira. Essa formação gravou uma terceira maquete, "The Will", que incluía regravações de "Sad Shooter" e "This Aureole In Me". O intuito era servir como cartão de apresentação para gravadoras, na esperança de conseguir um contrato para uma gravação mais formal. Apesar de não alcançar esse objetivo, o trabalho possibilitou apresentações nas Noites Ritual e a participação na compilação "Ritual Rock I" com a faixa "Sad Shooter". No final de 1995, a formação se desfez, e Pedro Ferreira voltou a conduzir o projeto sozinho. Isso não o desmotivou, e ele continuou a compor, embora as novas músicas desse período (entre 1995 e 1996) não tenham sido reunidas em uma demo oficial. Essas composições já indicavam uma nova direção, com um som mais ambiental e o uso de vocalizações femininas, como em "Sorrow", com Cláudia Leite.
Nesse período, os Love And The Will se conectaram à Independent Records e, no final de 1996, entraram em estúdio para gravar seu álbum de estreia, "Felt". Durante a gravação, que contou com a colaboração da vocalista Lia na faixa "Sorrow - Reprise", Pedro Ferreira reuniu José Augusto (baixo) e Pedro Rodrigues (guitarra) para acompanhá-lo ao vivo. O ano de 1997 transcorreu de maneira tranquila, com alguns shows e trabalho de estúdio. No entanto, antes do ano terminar, a banda rompeu com a Independent Records, resultando na publicação de "Felt" apenas em formato cassete e sob a edição de autor. Este álbum se apresenta mais ambiental e atmosférico do que os anteriores, com uma maior presença de guitarras acústicas. Melancólico e com texturas delicadas, "Felt" demonstra a maturidade do projeto nos arranjos e na composição.
Em 1998, os Love And The Will enfrentaram mais uma vez a autoedição, lançando o CD-Single "Everyday (You Shelter Me)/Sorrow". Gravado com os músicos que o acompanhavam ao vivo e com a colaboração de Claudine Sarbib nos vocais, o disco representou um avanço na evolução sonora do grupo. Contudo, esse foi o último lançamento oficial do projeto, que continuou a se apresentar até 2001, agora com uma formação renovada que incluía Pedro Rodrigues, Claudine Sarbib, Luís A. (baixo) e um baterista conhecido como Metamorpheu. Desde então, não há informações sobre Pedro Ferreira, o que sugere que a banda chegou ao fim. [Paulo Martins]